a tese
Matheus Fugita defende que a virtude mais decisiva para sua vida intelectual foi ser bom amigo, ilustrando com três amizades da história da filosofia e com as suas próprias.
aprofundar
não
é vídeo devocional-motivacional sobre amizade intelectual, agradável mas sem tese teológica ou filosófica que renda trabalho; o único gancho é a menção final ao evento sobre Schellenberg.
O que foi dito
- Parte de uma troca de cartas entre Charles Sanders Peirce e William James: Peirce, amargurado por neuralgia do trigêmeo, divórcio, demissões e pobreza, foi sustentado por James, que lhe viabilizou palestras em Harvard e organizou um fundo de amigos para ampará-lo, sempre reconhecendo Peirce como pai do pragmatismo.
- Segundo caso, o Renascimento florentino: Poggio Bracciolini e Niccolò Niccoli, amigos e rivais amistosos que recuperaram e fizeram crítica textual de manuscritos antigos (Poggio como secretário papal acessou bibliotecas monásticas), com destaque para a recuperação do “De rerum natura” de Lucrécio; cita uma carta em que Poggio pede a Niccoli que revise e descarte seus textos “porque você muito me ama”.
- Terceiro caso, Ludwig Wittgenstein e Frank Ramsey: Ramsey ajudou na tradução e editoração do Tractatus e publicou uma review crítica respeitosa; morto aos 26, foi uma das influências decisivas para Wittgenstein voltar à filosofia na “segunda fase”.
- Aplica à própria vida: cita o Dr. Cláudio Rui, mentor da adolescência que reunia jovens para ler a Bíblia mas também Platão, Aristóteles e filosofia analítica, e com quem manteve amizade e o coral; e Anderson, autor de livro sobre astronomia e adventismo, com quem debatia noites a fio.
- Menciona os amigos atuais do YouTube (Carlos Alberto, Gabi, Pedro do curso “A Formação da Opinião”), a quem recorre para testar ideias, inclusive pedindo ao Pedro (de tradição de esquerda, marxista/foucaultiana) opiniões fortes para checar os próprios vieses políticos.
- Descreve uma rede internacional de contatos (colegas formados em Harvard, Stanford, Brown, um amigo judeu adventista em Jerusalém) que digitalizam e enviam obras de domínio público de bibliotecas do mundo, retribuindo a parceria intelectual.
- Fecha recomendando buscar amigos com o mesmo gosto pelo estudo, porque a caminhada fica mais rigorosa e frutífera, e anuncia o evento “imersão” do canal para responder ao argumento do ocultamento divino de Schellenberg usado por ateus e agnósticos.