a tese
Aula 9 de William Lane Craig sobre escatologia (Defenders): há uma tensão aparente entre as muitas passagens que colocam a segunda vinda de Cristo num futuro distante e um punhado de ditos de Jesus que parecem prometê-la dentro da geração dos ouvintes; o problema é apresentado, não resolvido (fica para a aula seguinte).
aprofundar
talvez
é a crux clássica da escatologia (o "problema da parusia adiada" e as respostas preteristas/proféticas); a aula só arma o problema, então vale mais quando Craig apresentar a solução na parte 10.
O que foi dito
- Craig levanta a questão do “quando” da segunda vinda: o momento em que Cristo volta para ressuscitar os mortos, julgar o mundo e reunir a igreja.
- Percorre o discurso do Monte das Oliveiras (Marcos 13) mostrando que Jesus prevê uma sequência longa de eventos antes do fim: apostasia religiosa e falsos cristos (13:5-6), perseguição e testemunho mundial da igreja (13:9-11, 13-19), guerras e rumores de guerras, terremotos e fomes como “princípio das dores” (13:7-8), e distúrbios cósmicos após a tribulação (13:24s).
- Conclui que, lido assim, Marcos 13 dá a impressão de que a volta está distante, pois “muita coisa tem de acontecer primeiro”.
- Reforça o ponto com Paulo em 2 Tessalonicenses 2:1-10: contra os que achavam que o dia do Senhor já tinha chegado, Paulo insiste que antes virá a apostasia e a revelação do “homem da iniquidade”, o anticristo que se assenta no templo proclamando-se Deus.
- Acrescenta Romanos 11:25-26: Paulo prevê primeiro a plenitude dos gentios entrando no Reino e só depois a conversão de Israel étnico (“todo o Israel será salvo”), o que também pressupõe um longo intervalo.
- Vira a chave: apesar de tudo isso, Jesus faz afirmações que sugerem o contrário, que o Filho do homem voltaria ainda em vida dos ouvintes.
- Cita Marcos 13:30 (“esta geração não passará antes que tudo isto aconteça”) e Marcos 8:38-9:1 (“alguns dos que aqui estão não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus vindo com poder”).
- Compara com o paralelo de Mateus 16:28, que ele considera ainda mais agudo: “não provarão a morte até que vejam o Filho do homem vindo no seu Reino”, trocando a vinda do Reino pela vinda do próprio Filho do homem.
- Formula o dilema sem resolvê-lo: de um lado, farta evidência de que a segunda vinda estava longe; de outro, ditos que parecem prever o retorno dentro daquela geração; a solução fica para a próxima semana.