Diante de um corte viral chamado de heresia, William Lane Craig reafirma que não crê nem nega a geração eterna do Filho na natureza divina, porque a julga sem base no Novo Testamento e fruto da cristologia do Logos dos apologistas, e acrescenta que ela introduz subordinacionismo ao negar ao Filho a asseidade.
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Toca exatamente o eixo que interessa ao Bruno (μονογενής e João 1:14, 1:18, a tensão entre Sola Scriptura e Niceia, simplicidade divina como acréscimo "católico" no debate com Rafael Gaspar), e Craig tem pontos frágeis a examinar: a leitura de "consenso" sobre μονογενής, a asseidade tratada como atributo da essência contra a tradição pró-nicena, e o modelo de três conjuntos de faculdades, que aproxima do triteísmo social.
O que foi dito
- Kevin Harris explica que o trecho circulou via Protestia com mais de um milhão de views e reproduz o clipe: Craig diz que há “consenso” entre neotestamentários de que a geração eterna não está no NT, que ela vem da cristologia do Logos de Atenágoras, Taciano e Justino e que sua atitude é a do “ouro em Marte”, sem crer nem descrer.
- Craig delimita a tese: não nega a divindade plena de Cristo nem o resto do Credo Niceno, só não se sente obrigado a um artigo sem mandado bíblico, e apoia essa postura na Sola Scriptura com duas citações de Lutero sobre a transubstanciação em O Cativeiro Babilônico da Igreja.
- Na mesma resposta ele enfileira doutrinas que Roma teria “acrescentado” sem Escritura (impassibilidade e simplicidade divinas, imputação da culpa de Adão, mérito, papado, Imaculada Conceição, Assunção, purgatório), o que coloca a simplicidade e a impassibilidade no mesmo saco que o purgatório.
- A Michael Carino (grafia incerta), do Boyce College, que citou João 1:14, responde com Murray Harris (Jesus as God): μονογενής trata de relação familiar, não de modo de nascimento, e não tem em vista nem o nascimento virginal nem a geração eterna.
- A Luke Stamps (Anderson University), que viu origem eterna em “Verbo”, “Filho” e na linguagem de “procedência”, distingue Trindade ontológica e econômica, diz que subordinação e envio pertencem à economia e desafia: “mostre-me” o texto que não se reduza à economia.
- A Jared Moore, que leu a geração como mera táxis lógica sem diferença ontológica, acusa de diluir Niceia (“gerado, não feito” quer dizer derivação ontológica, e o Pai como fonte), dizendo que, se Moore estivesse certo, Craig não seria herege.
- Como alternativa, remete ao volume 2B da sua Systematic Philosophical Theology: Deus como uma substância espiritual com três conjuntos de faculdades racionais, cada pessoa distinta pela própria perspectiva de primeira pessoa em relações eu-tu.
- Com base num artigo da First Things que atribui a asseidade só ao Pai, pergunta se Deus poderia não ser essencialmente autoexistente e se o Filho sem asseidade não seria inferior, e ao padre que ligou a adoção filial à geração eterna responde que Israel já era filho de Deus e que a filiação econômica basta.
- Lembra que defende isso desde Philosophical Foundations (com J. P. Moreland) e em artigos revisados por pares, recomenda One God, Three Persons, Four Views (org. Chad McIntosh), diz que o tema não deve dividir comunhão e aconselha calar a linha do credo em vez de recitá-la com reserva mental.