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radar · Filosofia & teologia

The Universe Looks Impossibly Fine-Tuned. Is God the Best Explanation?

a tese

Debate do Unbelievable entre Miles Donahue, doutorando em Oxford sobre o ajuste fino, e o lógico Alex Malpass, em que Donahue acaba defendendo uma formulação modesta do argumento (10 mil para um, não 10 elevado a 90) e Malpass apresenta duas objeções novas, a do cavalo de batalha e a da loteria existencial.

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É o debate mais substantivo do radar nesta leva, e o trecho sobre conhecimento médio interessa direto ao Bruno: Malpass despacha o molinismo como incoerente em uma frase, Donahue responde que o conhecimento médio decorre da onisciência se for coerente, e nenhum dos dois desenvolve, o que abre espaço exatamente onde o trabalho dele já está.

O que foi dito

  • Donahue formula o argumento em dois passos: os parâmetros da física permitem estrutura complexa apenas numa faixa estreitíssima (a constante cosmológica ajustada a uma parte em 10 elevado a 90, com quatro exemplos recentes de Luke Barnes), e esse fato é mais esperado sob teísmo do que sob naturalismo, como “Frank esteve aqui” escrito na areia.
  • Os dois concordam num esclarecimento importante: a probabilidade em jogo é epistêmica, não metafísica, e não supõe loteria cósmica nem mecanismo estocástico; mesmo que os valores sejam fato bruto ou necessários, a probabilidade epistêmica de caírem na faixa vital continua baixíssima.
  • Malpass apresenta a objeção de Dan Linford: ajuste fino é propriedade das teorias, não do mundo, e a necessidade de calibrar parâmetros à mão é sintoma de teoria incompleta, como a relatividade geral que precisa de matéria escura para explicar a rotação das galáxias; Donahue rejeita o rótulo “sentido do físico contra sentido do filósofo”, cita a pesquisa de Phil Halper com 1.700 físicos (só 11% apelam a um princípio mais profundo, 23% a fato bruto, 20% ao multiverso, 11% a design) e objeta que a receita de Linford tornaria impossível em princípio descobrir um universo de fato ajustado.
  • Na objeção da psicologia divina, Malpass pergunta como saber o que Deus quereria; Donahue responde que só a bondade perfeita permite inferências disciplinadas (não a onipotência nem a onisciência), que agentes conscientes são pré-requisito de todo valor moral, e que por isso não é improvável que Deus os queira; acrescenta ter escrito um artigo sustentando que teísmo cético e argumento do ajuste fino são inconsistentes, razão pela qual não é teísta cético.
  • Malpass contra-argumenta que Deus poderia preferir valores estéticos exóticos num universo sem criaturas como nós, e Donahue responde que os parâmetros não estão ajustados só para vida, mas para qualquer coisa de valor, e recorre à região epistemicamente iluminada de Robin Collins para restringir a pergunta ao espaço de 31 parâmetros em que sabemos calcular consequências.
  • No ponto em que Malpass pergunta pelo lado ruim de criar agentes livres, Donahue apela ao conhecimento médio, e Malpass reage dizendo que o molinismo é para ele basicamente incoerente e que agregá-lo derruba a probabilidade intrínseca do teísmo; Donahue replica que, se o conceito for coerente, o conhecimento médio decorre da onisciência e não é acréscimo, e que, mesmo sem ele, a disposição de Deus a intervir decorre da bondade perfeita.
  • A objeção do cavalo de batalha sustenta que o debate compara um teísmo enriquecido (onisciente, onipotente, perfeitamente bom) com um naturalismo cru, e que, dado qualquer teísmo especificado, sempre se pode construir uma versão de naturalismo enriquecido que preveja os mesmos dados, o que garante empate, e Malpass basta empatar; ele ilustra com a cosmologia de Lee Smolin (seleção natural de universos via buracos negros) e com disposições no lugar de intenções, à maneira da teleologia sem mente de Thomas Nagel.
  • Donahue responde comparando com a defesa que, num julgamento, alega armação em vez de culpa: a hipótese enriquecida prevê bem os dados, mas sua probabilidade intrínseca é ínfima, pois há uma versão de naturalismo enriquecido para cada valor possível dos parâmetros; sustenta que o teísmo não paga esse preço porque atributos ilimitados são mais simples, usando o exemplo de Brian Cutter e Joe Schmid da mancha anômala de um pé cúbico em Andrômeda contra a uniformidade das leis; observa ainda que a proposta de Smolin seleciona universos produtores de buracos negros, não universos com vida.
  • A concessão central de Donahue: admitindo que a física é incompleta, adota uma formulação modesta em que a evidência vale cerca de 10 mil para um, e não 10 elevado a 90, número que ele diz recolocar a discussão no terreno em que pessoas razoáveis podem discordar, ao contrário do uso que William Lane Craig faz do ajuste fino para neutralizar o sofrimento animal; justifica a confiança lembrando que a Stanford Encyclopedia lista oito casos independentes de ajuste fino e que a inflação, ao explicar a planura espacial, não explicou nenhum dos outros. Malpass celebra a queda de 85 ordens de grandeza e observa que o teísmo cristão, com Trindade e encarnação, é mais complexo que o teísmo dos filósofos, de modo que 1 em 10 mil já lhe parece alcançável.
  • No fim, Malpass expõe o argumento inédito da loteria existencial, escrito com Nathan Bray (St Andrews) na linha da falácia da evidência subdeclarada de Paul Draper: se o dualismo de substância é verdadeiro, além de vencer a loteria genética e causal, seria preciso que Deus pareasse aquele corpo com esta alma entre um número possivelmente infinito de almas (Nevin Climenhaga especula uma infinidade absoluta), o que faria a existência de cada um ser evidência massiva a favor do naturalismo; Donahue objeta com um dilema: se o estoque de condições suficientes for finito, num universo suficientemente grande ele se duplica e deixa de ser suficiente (Max Tegmark, multiverso de nível um); se for infinito, o naturalista perde a vantagem probabilística. Ambos notam que o alvo é a combinação de teísmo e dualismo (Craig e Moreland, com a analogia da lâmpada), atingindo também um ateu dualista como Michael Huemer.

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