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ANUNCIANDO MINHA CONVERSÃO AO CATOLICISMO | Feat. David Ribeiro

a tese

Matheus Fugita finge ao telefone, por desafio pago de um espectador durante a live, que está se convertendo ao catolicismo por causa do argumento dos milagres de Joe Schmid, e o trote arranca do filósofo ateu David Ribeiro meia hora de aconselhamento sincero e de objeções substantivas a esse argumento.

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O formato é trote de live e a brincadeira se faz às custas de um amigo que respondeu de boa-fé, mas as objeções de David Ribeiro são a melhor peça em português contra o argumento dos milagres vindicatórios de Joe Schmid, com bibliografia aproveitável (Fogelin, Seth Hart, Alex Gallagher, Stevenson e Tucker) para quem acompanha o caso.

O que foi dito

  • A brincadeira nasce de uma doação de R$ 150 do espectador Thiago, que desafia Fugita a ligar para David Ribeiro dizendo que se converteu ao catolicismo após analisar melhor os milagres católicos.
  • David atende de madrugada traduzindo artigos e conta o que tem no prelo: um texto contra a versão espantalho do argumento humeano sobre milagres, apoiado na leitura mais robusta de Robert J. Fogelin, um sobre o fenômeno de 1998 na Tailândia, um mostrando que traduções erradas do italiano foram corrigidas sem nota nem aviso, e um argumento bayesiano contra a leitura milagrosa da temperatura altíssima medida em Padre Pio, alegando que a taxa de falso positivo em termômetros torna a hipótese do milagre improvável.
  • Fugita simula dúvida dizendo que a evidência católica lhe parece mais forte do que a das predições de Ellen White e do que o que o protestantismo oferece, e David responde não com apologética, mas com contraevidência: o texto de Seth Hart em resposta a Schmid sobre o caso vindicatório hindu, o texto de Alex Gallagher que lista os critérios de milagre vindicatório aplicados ao hinduísmo, e os estudos de Ian Stevenson e Jim B. Tucker sobre memórias de vidas passadas e marcas de nascimento.
  • O argumento central de David é que a explicação demoníaca usada pelos católicos não cobre bem casos de reencarnação e marcas de nascimento, e que tradições inclusivistas como o vaishnavismo e o shivaísmo da Caxemira absorvem milagres alheios com mais harmonia do que o cristianismo, de modo que levar a sério o critério vindicatório poderia empurrar os dois para o hinduísmo, não para Roma.
  • Cita casos específicos que Schmid e seu parceiro de debate (chamado na conversa de “Mus”, grafia incerta) não teriam enfrentado: Shirdi Sai Baba (distinto de Sathya Sai Baba, que ele chama de charlatão) e Prahlad Jani, monitorado por 15 dias sem comer, beber ou excretar após visão da deusa Amba, estudo que ele lembra não ter passado por revisão por pares.
  • David faz uma crítica metodológica: o raciocínio bayesiano sobre relatos de milagres já é abstrato e teórico, de modo que invocar o “shift mooreano” para blindar a conclusão é abuso, e julga imprópria a analogia de Schmid de que seria como Jesus respirando nele, já que ele não experienciou nada diretamente, apenas avaliou relatos, imagens e exames.
  • Aconselha Fugita a fazer exame de consciência e não decidir por pressão social, diz que a bolha católica o receberia bem e que ele não deve seguir o que os outros querem, mas confessa preferir que ele continue adventista pelos pontos em comum entre os dois (veganismo, valorização das mulheres, rejeição do inferno eterno).
  • Fugita improvisa a parte emocional do trote: fala do processo jurídico e do mau momento pessoal, do apego afetivo ao “Castelo Forte” de Lutero e à Ave Maria (de Gounod e a de Bach), canta as duas no telefone pedindo que David escolha a mais bonita, diz que a contemplação estética é canal ordinário de Deus e encerra com “você pode ser um santo, David”, pedindo em vez de oração “vibrações positivas da inércia existencial”.
  • Desliga sem revelar o trote, ri com o chat do fato de ter deixado o amigo ir dormir acreditando, e em seguida liga para Lucas Banzoli, que já estava assistindo à live e não cai; os dois especulam qual argumento católico seria convincente (necessidade do magistério, Fátima) e Banzoli elogia a atuação.

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