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What Was Jesus Really Like Before Age 30? | Joan Taylor

a tese

Joan Taylor defende, a partir do livro "Boy Jesus: Growing Up Judaean in Turbulent Times", que a infância de Jesus não é terreno perdido para o historiador: cruzando Josefo com as narrativas da infância, é possível reconstruir o ambiente violento que formou Jesus antes dos trinta anos.

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é o melhor material da leva, com método historiográfico explícito, e o argumento de que o critério de "cumprimento profético igual a invenção" provaria demais merece discussão própria; vale análise avulsa confrontando Taylor com a posição de Bond sobre a dependência Lucas-Mateus.

O que foi dito

  • John Nelson, que teve Taylor como examinadora de doutorado sobre a aparência física de Jesus, pergunta por que os historiadores do Jesus histórico abandonaram o tema, e ela responde citando E. P. Sanders, para quem as narrativas da infância são o caso mais claro de invenção.
  • Taylor conta que ela mesma ensinava assim, pulando de Mateus e Lucas direto para o batismo, até se incomodar com o apagamento dos anos formativos, da memória familiar e do deslocamento geográfico.
  • O método é situar Jesus no tempo por Josefo: nascimento entre 6 e 4 a.C., nos últimos anos de Herodes, com o pressuposto de que o autor só precisava escrever “Herodes” porque o leitor já sabia o que esperar.
  • Sobre a matança dos inocentes, propõe uma explicação por memória deslocada: em 40 a.C., fugindo dos partos que apoiavam Antígono Matatias, Herodes foi atacado a caminho do Herodium, passando por Belém, e massacrou os atacantes locais; houve um massacre, em outra data.
  • Acrescenta que nos últimos anos Herodes matou três dos próprios filhos, saqueou o túmulo de Davi em 10 a.C. por dinheiro (sacrilégio grave para os davídicos) e construiu o Herodium de frente para Belém, o que ela lê como vigilância sobre a linhagem.
  • Sustenta que Herodes cultivava uma autocompreensão quase messiânica: apoiou-se na profecia do essênio Menaém e cunhou moedas com o diadema marcado por um X, a letra chi de Χριστός, o ungido escolhido por Roma e por Deus.
  • Contra o argumento de que Belém é invenção teológica a partir de Miqueias 5:2, observa que o mesmo critério eliminaria a crucificação, já que tudo nela também é lido como cumprimento de escritura; e nota que Miqueias é o único texto a ligar o Messias a Belém, enquanto a expectativa central é a linhagem davídica.
  • Lembra que nem todo pretendente messiânico reivindicava linhagem davídica (Bar Kokhba não consta), e que Marcos se interessa mais pelo filho do homem de Daniel 7, o que mostra pluralidade de messianismos no judaísmo do segundo templo, confirmada pelos manuscritos do Mar Morto.
  • Defende a filiação davídica de Jesus como um dos dados mais antigos disponíveis, presente em Paulo, nos quatro evangelhos e no Apocalipse, e cita Júlio Africano sobre Herodes ter queimado os registros genealógicos do templo, além do paralelo com a recitação genealógica maori (whakapapa) para argumentar que genealogia oral era memória comunitária confiável.
  • Sobre o censo de Quirino e o descompasso de dez anos, invoca a fragilidade da cronologia na memória familiar (dá exemplo doméstico) e alinha-se a Helen Bond ao considerar a narrativa da infância de Lucas dependente e respondente à de Mateus, feita a partir da perspectiva de Nazaré e das memórias de Maria.
  • Trata a fuga ao Egito como plausível por si (destino habitual de refugiados judeus) e inverte o argumento tipológico: a tipologia mosaica explicaria melhor a interpretação posterior de um fato do que a criação do fato, já que nada em Ezequiel exige que o messias davídico seja um novo Moisés.
  • O núcleo do argumento: Josefo narra que, após a morte de Herodes, Arquelau massacrou três mil pessoas no templo e os romanos, vindos de Antioquia, queimaram Séforis e escravizaram os sobreviventes; de Nazaré se vê Séforis, e Taylor imagina o menino Jesus vendo a cidade arder, com a violência romana como lição formativa.
  • Conjectura sobre Nazaré (netzer de Isaías 11:1) e Cocaba, a estrela, como possíveis povoados de refugiados davídicos, onde depois se lembrava que viviam parentes de Jesus, e o clima de cautela explicaria a recepção hostil ao Jesus adulto na própria cidade.
  • Descarta por cronologia a hipótese dos irmãos de um casamento anterior de José: se Tiago fosse quinze anos mais velho, teria morrido velhíssimo, e nenhuma fonte diz isso dele, ao contrário do que Eusébio registra sobre o primo Simeão, morto ancião por ser davídico e cristão.
  • Amplia τέκτων para além de carpinteiro: construtor que combina madeira, pedra e metal, o que ilumina o jugo, as grandes pedras do templo e as casas sobre rocha e areia; lembra o relato de Justino Mártir sobre jugos feitos por Jesus ainda existentes na Galileia.
  • Sobre celibato, recusa a inevitabilidade do casamento: havia grupos celibatários (essênios, terapeutas do Egito), e casar exigia renda e arranjo paterno, coisas comprometidas pela morte de José.
  • Sobre alfabetização, distingue níveis de letramento (comparando com meninos que recitam o Alcorão em árabe na Gâmbia) e atribui o conhecimento escriturístico de Jesus mais à formação doméstica por José, leitor de sinais e sonhos em Mateus 1 e 2, do que à escola sinagogal.
  • Considera plausível o núcleo do episódio dos doze anos no templo (Lucas), datável por volta de 6 d.C., quando Arquelau foi deposto e chegou o prefeito Coponius, mas descarta os prodígios do Evangelho da Infância de Tomé.

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