a tese
Primeiro AMA de apoiadores de Joe Schmid depois da conversão ao catolicismo, quase três horas de perguntas: ele mantém o rigor analítico de sempre, recusa aceitar argumentos teístas ruins só porque agora é teísta, e detalha tanto a metaética que sustenta quanto o caminho evidencial (milagres) que o levou a Roma.
aprofundar
sim
é a melhor amostra do Schmid pós-conversão para o teu dossiê do caso: metaética não naturalista explicitada, a estrutura do argumento evidencial por milagres que o converteu, e a honestidade de continuar rejeitando argumentos teístas que considera fracos, inclusive o de Craig.
O que foi dito
- Explica por que classificou alto o argumento a partir do conhecimento moral e baixo o argumento moral dedutivo ao estilo de William Lane Craig: a eficácia dialética que Craig relata vem de o público leigo desconhecer as explicações não teístas da moralidade, e a premissa condicional exigiria eliminar todas elas, inclusive as futuras.
- Trabalha a objeção da esquisitice de Mackie e distingue a versão metafísica (fatos morais não naturais seriam estranhos) da epistêmica (nosso acesso a eles seria estranho), listando quatro respostas ateias: naturalismo metaético, negar que sejam esquisitos, dizer que seriam igualmente esquisitos sob o teísmo e perguntar por que esquisito implica improvável.
- Declara sua posição: realismo moral não naturalista mais uma exigência explanacionista sobre conhecimento, o que deixa o ateu naturalista com uma faculdade sui generis para apreender fatos morais, coisa que ele considera fortuita demais e implausível.
- Formaliza, a pedido de um apoiador, o argumento da contingência para a onipotência em sete passos, com teorema de Bayes no final, e reconhece que ele não implica onipotência, só a evidencia fortemente; observa que o atualismo ramificado sustenta a segunda premissa.
- Sobre veneração de ícones, remete ao trabalho de Suan Sonna e ao texto que Noah McKay prepara sobre Myrna Nazzour, a mística de Soufanieh, em Damasco, para a Substack conjunta deles.
- Sobre a polêmica recente em torno de Fátima e Lanciano nas Substacks, admite que não acompanhou por causa da carga acadêmica, e anuncia que Ethan trabalha numa análise sistemática dos supostos outros milagres solares e que Caleb Jackson prepara texto sobre Zeitoun.
- Dá o estado do livro coletivo sobre a existência de Deus, escrito com Matthew Adelstein, Amos Wollen, Dustin Crummett, Brian Cutter e Philip Swenson: dois capítulos prontos, o dele sobre alternativas não naturalistas ao teísmo (teísmo estético, deus mau, deuses limitados) previsto para o fim do ano, e será de nível popular.
- Aceita a sugestão de um apoiador de que o argumento da beleza gratuita não exige do ateu o realismo estético, pelo mesmo movimento que permite ao ateu rodar o argumento do mal condicionalmente ao teísmo, e diz que gostaria de ter feito essa ressalva no vídeo.
- Sobre reencarnação e os casos de Ian Stevenson, mostra-se cético por razão metodológica: a hipótese só precisa prever os dados melhor que as concorrentes, e aqui concorrem explicações naturalistas (contágio de memória, viés de seleção, perguntas indutoras) e a hipótese demoníaca, já que conhecimento oculto é sinal clássico de possessão no quadro católico.
- Sobre comer carne, recusa chamar de pecado mortal e aplica a distinção de cooperação formal e material: quem come não quer o sofrimento, logo é cooperação material remota que exige razão proporcionada; ele próprio é vegano e considera venialmente pecaminoso participar da criação industrial no estado de vida dele, ressalvando que o caso da criação regenerativa é bem mais complicado.
- Responde à objeção de que sua conversão é suspeita por ele ter sido criado católico: além de admitir a humilhação de dar razão aos pais, argumenta que não seria surpreendente que a religião verdadeira fosse a maior e mais antiga, porque um Deus que se revela à humanidade dificilmente teria êxito fundando uma seita de doze pessoas.
- Conta a sequência da conversão: ao fim de uma ligação de quatro horas com Ethan, concluiu que não podia mais resistir, tomando os estigmas de Padre Pio como quase basicamente evidentes para o cristianismo, e no dia seguinte decidiu pelo catolicismo, empurrado pela implicação católica dos milagres que já o convenciam.
- Defende o caso de Padre Pio contra o “a ciência um dia explica”: ao contrário do trovão, sabemos como feridas cicatrizam, e perfurações de espessura total por cinco décadas não deixam pele nova no dia da morte; reclama também das entradas da Wikipédia sobre esses casos.
- Miscelânea: agnóstico entre presentismo e eternismo, rejeita o bloco crescente; simpático ao conceitualismo divino sobre verdades necessárias, com Pruss e Rasmussen, e despacha a objeção dos “maus pensamentos”; recomenda começar Tomás de Aquino por literatura secundária (Wippel, Kerr, Eleonore Stump); pretende ficar na filosofia moderna e não na escolástica; e pede oração pelo discernimento vocacional, com a academia ainda como opção principal apesar do mercado de trabalho e dos cortes nas humanidades.