a tese
Joe Schmid reúne dois convidados, o católico Noah McKay e o utilitarista Matthew Adelstein, para defender que dar esmola de modo eficaz é obrigação moral grave e, na leitura católica que ele sustenta, questão de salvação. O cuidado central do vídeo é separar essa tese mínima do pacote moral controverso do movimento que se chama "altruísmo eficaz".
aprofundar
talvez
o material sobre a leitura soteriológica de Mateus 25 e a gravidade da omissão interessa, mas são 26 minutos de exortação com as fontes em citação solta, sem o trabalho exegético que renderia uma sessão.
O que foi dito
- Schmid abre expondo os desacordos da mesa (ele e McKay católicos, Adelstein utilitarista e defensor de que o bem-estar agregado dos insetos pesa mais que o humano) justamente para mostrar que a tese do vídeo não depende de nenhuma dessas posições.
- A tese mínima é apresentada como platitude moral: deve-se ser generoso com o próprio dinheiro e, ao ser generoso, escolher o uso que faz mais bem a mais gente. Adelstein ancora isso na Against Malaria Foundation, que salvaria uma vida por cerca de 5 mil dólares.
- Os três distinguem essa platitude do movimento organizado, cujos membros a desdobram em compromissos discutíveis como utilitarismo sem restrições deônticas e prioridade ao bem-estar animal sobre o humano.
- O gatilho da gravação é político: o Departamento de Defesa dos EUA tuitou que os Estados Unidos nunca serão um país “effective altruist”, e a mesa argumenta que discordar da regulação pesada de IA ou da política de ajuda externa não implica rejeitar a tese mínima.
- Schmid monta um florilégio a favor da esmola com Tomás de Aquino (o que um homem tem em abundância é devido por direito natural ao sustento dos pobres), Ambrósio, um padre do século IV citado com a sentença de 395 (“não dás ao pobre nada que seja teu, restituis o que é dele”, nome corrompido na legenda), João Crisóstomo (impossível entrar no Reino sem esmola, ainda que se façam dez mil outras boas obras) e o Vaticano II.
- Mateus 25.31-46 é lido por inteiro como texto de prova, e Schmid insiste no detalhe de que os cabritos à esquerda são condenados por omissão, não por crime, o que para ele torna a esmola questão soteriológica.
- McKay concede um ponto aos protestantes: mesmo quem rejeite a leitura soteriológica tem de admitir que negar auxílio ao miserável é omissão moralmente gravíssima, equivalente a passar ao lado de Cristo nu e faminto numa vala.
- A defesa da eficácia vem por analogias: a triagem hospitalar (o médico que se importa com cada paciente trata quem pode salvar mais) e a criança se afogando de Peter Singer.
- Adelstein blinda a analogia de Singer contra duas objeções, a das obrigações nacionais e de parentesco (redescrevendo a criança como estrangeira, numa viagem à Nigéria) e a da escala (se há milhares de crianças se afogando, isso não desobriga de salvar as que estão à frente, e a incerteza sobre o que há atrás da cortina não altera o dever presente).
- O fecho discute caridade animal: Adelstein defende as instituições do setor, e os dois católicos leem o Catecismo como permitindo doação a animais desde que a prioridade humana esteja atendida, porque o texto vem qualificado em vez de proibir em bloco.