a tese
No "Ask NT Wright Anything", Tom Wright e Mike Bird respondem três perguntas de ouvintes e sustentam que apóstolos e profetas atuais não formam ofício hierárquico, que "sacramento" e "ordenança" descrevem a mesma coisa por ângulos diferentes, e que o arrebatamento não se derruba isolado, porque é peça de um sistema escatológico inteiro.
aprofundar
talvez
a resposta sobre sacramento e ordenança é boa para a conversa com a tradição dos irmãos, e o ponto sobre 1 Tessalonicenses 4 é conhecido, mas o programa é de divulgação e não substitui o capítulo de "Surpreendido pela Esperança".
O que foi dito
- Primeira pergunta, de uma anglicana que passou trinta anos em igrejas carismáticas: a Bíblia sustenta apóstolos e profetas nomeados por Deus hoje, ou apenas o dom de profecia no culto?
- Wright distingue dois usos de apóstolo no Novo Testamento, o restrito (quem viu o Senhor ressuscitado, como Paulo argumenta em 1 Coríntios 9) e o amplo (líderes da primeira geração), e nota que as listas de dons de Efésios e 1 Coríntios 12 nunca coincidem, sinal de que a igreja primitiva não se preocupava com hierarquia fixa.
- Observa a ironia de grupos que saem das denominações tradicionais rejeitando hierarquia e reconstroem outra, às vezes mais rígida, e diz que 2 Coríntios é o texto paradigmático: os sinais do apóstolo são os sinais do Cristo sofredor, “quando sou fraco, então sou forte”, não a autoridade de personalidades fortes, cujo lema, brinca ele, seria “make apostleship great again”.
- Aceita chamar de apóstolo, em sentido frouxo, quem primeiro anunciou Cristo em um território, e reconhece o dom de profecia como experiência real, mas lembra 1 Coríntios 14 (o espírito dos profetas está sujeito aos profetas) e adverte contra o uso do título para controlar a vida alheia, inclusive casamentos.
- Mike Bird acrescenta a própria posição, mais cessacionista quanto ao ofício: apóstolos e profetas são fundamento em Efésios 2:20, a apostolicidade da igreja está na pregação do evangelho apostólico, não em sucessão apostólica nem em autotitulação, embora o Espírito continue sendo o espírito de profecia.
- Segunda pergunta: qual a diferença entre sacramento e ordenança, e se a escolha da palavra importa.
- Wright responde com a imagem do telhado e da cobertura, que nomeiam a mesma coisa com ênfases distintas: “ordenança” diz que Jesus mandou fazer, “sacramento” diz o que teologicamente acontece ali.
- Recusa tanto a leitura mágica do sacramento (que ele diz nunca ter sido o ensino oficial, embora muita gente tenha crido nela) quanto o reducionismo da ordenança, porque batismo e ceia antecipam a junção de céu e terra, o momento em que o espaço e o tempo de Deus tocam os nossos; conclui com Bird que a mesa é do Senhor, não da denominação.
- Terceira pergunta, de um leitor do Arizona com família arrebatacionista: vale a pena brigar por isso? Wright conta como, ainda estudante, foi convencido por uma palestra de que Bacon escrevera Shakespeare e aprendeu a recuar diante de audiência fechada, e diz que não atravessaria a rua para tirar alguém do arrebatamento, porque a peça não sai sozinha do conjunto dispensacionalista (Armagedom, Israel, eclesiologia do resto que diminui).
- Afirma que Filipenses 3:19 a 21 e 1 Coríntios 15 dão tudo o que é preciso, retorno de Cristo, transformação do corpo e da criação, sem arrebatamento no meio, e que 1 Tessalonicenses 4 não significa o que a teoria diz, como argumentou em “Surpreendido pela Esperança”; Bird sugere desafiar o parente a ler o livro em vez de discutir na mesa do café.