a tese
Ribeiro reage por quase quatro horas à live em que Gustavo Machado, do canal Orientação Marxista, responde às críticas de Bertoche e Krepe ao seu vídeo sobre a gênese da metafísica, e sustenta que Machado repete com outras palavras exatamente o argumento genético de que foi acusado, em vez de formular o argumento desmascarador que salvaria a tese dele.
aprofundar
talvez
e por um motivo que não é o marxismo: a distinção entre falácia genética e argumento desmascarador bem formulado é exatamente a que decide o debate sobre explicações evolutivas ou psicológicas da crença religiosa, e aqui ela aparece com a literatura certa na mão.
O que foi dito
- O material de origem é a live semanal de Machado, autor de Marx e a filosofia: o capital como crítica metafísica, que enumera sete argumentos centrais do vídeo de Bertoche, traduz cada um e comenta em ordem.
- A objeção de Bertoche é de falácia genética: reconstruir a origem histórica de uma doutrina não demonstra sua falsidade, e ele faz questão de aplicar a regra simetricamente, recusando invalidar o marxismo por ter nascido na Europa industrial do século XIX.
- A defesa de Machado é que ele não pretende mostrar a falsidade da metafísica pela gênese, mas que as questões metafísicas só fazem sentido dentro de um dado contexto social.
- Ribeiro responde que essa é a mesma tese reescrita, porque a conclusão sobre irrelevância epistêmica continua sendo extraída da identificação das condições históricas de surgimento, e é aí que ele faz o serviço mais útil da live.
- O serviço é indicar o que Machado deveria estar fazendo: formular um argumento desmascarador propriamente dito, no formato dos argumentos etiológicos e genealógicos da filosofia analítica, com objeções de isolamento e desafios de confiabilidade, isto é, mostrar que o mecanismo causal que produz as crenças metafísicas é não confiável quanto ao domínio em questão.
- Ele situa esse tipo de argumento na linhagem de Marx, Darwin, Freud e Skinner, e observa que é exatamente a estrutura usada hoje contra a moralidade, a religião, o livre-arbítrio e até a matemática, o que dá à disputa um alcance bem maior que o marxismo.
- Numa segunda frente, acusa Machado de deslizar entre validade e utilidade ao falar da lógica aristotélica, apontando que algo ser útil não o torna verdadeiro, e que a confusão fica pior se ele mantém uma concepção realista de explicação.
- Machado nega que o marxismo tenha filosofia da história, lógica geral, sistema universal ou método anterior ao objeto, insistindo que o método de Marx é inseparável do conteúdo e que Marx só investigou o capitalismo.
- Ribeiro rebate em dois tempos: que método adequado ao objeto é lugar-comum de metafilosofia, aceito por qualquer analítico e discutido em The Philosophy of Philosophy de Timothy Williamson, logo não distingue o marxismo; e que negar filosofia da história em Marx é posição de escola, controversa entre os próprios marxistas.
- O tom é de reconhecimento parcial com irritação: diz que Machado teria o direito de palpitar em temas fora da sua especialidade se não fosse tão categórico, e classifica a postura como pretensiosa.
- São quatro horas de reação a uma live alheia, com leitura de doações e digressões, e o argumento aproveitável cabe em vinte minutos.