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O MELHOR Argumento ATEÍSTA? O Problema do Sofrimento Animal e a Neurociência da Dor - Skydivephil

a tese

Documentário do Skydivephil (Phil Halper) publicado no canal de David Ribeiro que reformula o problema do sofrimento animal em cinco problemas distintos (tempo, criação, ordens divinas, ações divinas e o consumo de carne), sustenta que nenhuma resposta teísta cobre os cinco ao mesmo tempo, e apresenta evidência neurocientífica nova, o caso do paciente R, para enterrar o neocartesianismo de Michael Murray e William Lane Craig.

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É o material mais forte desta leva contra o teísmo e atinge de frente três posições que o Bruno conhece (Craig, Swinburne, Lewis em "O Problema do Sofrimento"), com a vantagem rara de trazer dado empírico verificável em vez de só troca de intuições; o ponto do teísmo cético minando a teologia natural conversa diretamente com o debate Donahue e Malpass já fichado aqui.

O que foi dito

  • O problema do tempo: aceitos os dados da paleontologia, animais sofreram por centenas de milhões de anos antes de existir ser humano, portanto antes de qualquer queda; o problema da criação: mesmo quem concilia evolução e criação precisa admitir que o método escolhido por Deus não apenas permite, mas depende de predação, parasitismo e morte.
  • O problema das ordens divinas: 1Samuel 15 manda matar também os animais dos amalequitas, e Josué 11:6 manda cortar os jarretes dos cavalos, quando havia meios menos violentos de inutilizá-los; somam a isso os sacrifícios rituais.
  • O problema das ações divinas: no dilúvio e nas pragas Deus mata os animais diretamente (a primeira praga mata os peixes, a última os primogênitos do gado), e no episódio dos porcos de Gerasa Jesus poderia ter dissolvido os demônios em vez de afogar o rebanho; observam com ironia que ali Jesus tem mais compaixão pelos demônios do que pelos porcos, e lembram que Agostinho leu o episódio como prova de que não temos deveres para com animais, posição que Tomás de Aquino repetiu citando-o.
  • Um argumento metodológico afiado: se William Lane Craig motiva a premissa dos valores morais objetivos pela intuição de que torturar é errado, a mesma intuição serve para julgar as ações atribuídas a Deus, e não se pode usar a intuição só quando convém.
  • O quinto problema é o consumo humano de carne, ligado à sexta extinção em massa e à emissão de gases por rebanhos, que um Deus onisciente teria previsto e poderia ter proibido como proibiu a carne de porco a Israel.
  • Contra a defesa da regularidade nômica, retomam Hume nos Diálogos: leis gerais seriam aceitáveis se tivéssemos mais capacidades, e um projetista poderia ter dado anestésicos aos predadores ou regulado o comportamento por graus de prazer em vez de dor; acrescentam que, se violar leis naturais fosse tão grave, Deus não teria feito milagres para prejudicar animais no dilúvio e nas pragas.
  • Contra a teodiceia da formação da alma na versão de Trent Dougherty (animais transformados no além, ao modo de Nárnia, veriam retrospectivamente o sentido do próprio sofrimento), objetam que se trata de hipótese auxiliar que baixa a probabilidade do teísmo por conjunção, que o animal morrendo sozinho num poço de piche não desenvolve caráter nenhum, e que a resposta de Craig sobre as crianças cananeias salvas pela morte precoce entra em conflito com a própria teodiceia da formação da alma.
  • Levantam a objeção de Ivan Karamazov contra a compensação póstuma: usar alguém como mero meio permanece errado ainda que haja recompensa, e compensar não é o mesmo que justificar.
  • Contra o teísmo cético, apontam três custos: se há bens ocultos por trás de todo mal aparente, há males ocultos por trás de todo bem aparente; o ceticismo mina a teologia natural, pois derruba também as inferências sobre o que Deus teria razão para querer (atingindo o argumento do ajuste fino); e o teísta cético se declara ignorante quando lhe convém e informado sobre a bondade de Deus quando precisa.
  • O núcleo empírico do filme: a hierarquia de três níveis de consciência da dor que Murray propõe em “Nature Red in Tooth and Claw” e que Craig popularizou (animais sentem dor mas não sabem que sentem, porque lhes faltaria o córtex pré-frontal) é falsa em duas frentes. Todos os mamíferos têm córtex pré-frontal pela definição padrão, e aves têm o nidopallium caudolaterale como análogo funcional; e o paciente R, que perdeu por encefalite herpética o córtex pré-frontal, o cingulado anterior e a ínsula, manteve autoconsciência preservada e, no teste do cold pressor conduzido por David Rudrauf e Carissa Philippi, relatou dor com dimensão afetiva normal ou até mais intensa que a dos controles, sendo descrito como hiperpático.
  • Concluem que o afeto é gerado em estruturas subcorticais (trabalho de Jaak Panksepp mapeando sete sistemas emocionais básicos comuns a humanos e outros animais, crianças com hidranencefalia que mantêm estados emocionais), que a leitura clássica dos lobotomizados é equívoco (a lobotomia embotava dor crônica e ansiedade, não dor aguda), e exibem via Wayback Machine a frase em que Craig agradecia a Deus por ter “blindado quase todo o reino animal da consciência da dor”, hoje removida do site sem retratação.

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