a tese
Justin Schieber (Real Atheology, republicado no canal do David Ribeiro) responde à defesa de Daniel Howard-Snyder contra o argumento do ocultamento divino de Schellenberg e sustenta que as preferências divinas que Howard-Snyder atribui a um Deus amoroso são piores que as alternativas disponíveis e, na raiz, provavelmente impossíveis.
aprofundar
sim
o argumento do ocultamento é vizinho direto do problema do mal em Rowe que você trabalhou no TCC, e a objeção final (a defesa exige um intervalo conceitualmente impossível entre capacidade de disposição e capacidade de relação) é o tipo de movimento que vale testar contra a resposta molinista.
O que foi dito
- O vídeo é réplica a Christopher Kloos (grafia incerta), do Christian Philosophy Academy, que havia respondido à parte 2 da série; Schieber diz ter convidado Kloos ao debate por e-mail e trata o vídeo dele como exposição competente das objeções.
- Deixa de lado a resposta de Mark Murphy (Georgetown) e concentra-se em Howard-Snyder (Western Washington), no ensaio “Divine Openness and Creaturely Non-Resistant Nonbelief”, da coletânea “Hidden Divinity and Religious Belief” (2015), editada por Adam Green e Eleonore Stump.
- Reconstrói primeiro o artigo de 1996 no Canadian Journal of Philosophy e mostra o erro: Howard-Snyder falava de descrentes não resistentes já existentes, no meio da vida, o que pressupõe o que o argumento nega, a saber, que Deus permitiria a existência de tais descrentes.
- Registra que o texto de 2015 corrige isso por nota de rodapé na página 131, explicitando que trata do primeiro momento em que a pessoa adquire a capacidade de se relacionar pessoalmente com Deus.
- Expõe os estágios da defesa: o amor humano às vezes exige afastamento (pais de filho dependente químico), mas isso só vale dentro de relação já existente; daí Howard-Snyder passa aos mal dispostos sem culpa própria, criados em ambiente hostil à religião, para quem revelar-se seria contraproducente.
- O núcleo da defesa está nos bem dispostos: se a pessoa não é responsável pela própria boa disposição, Deus prefere que ela a torne sua e a confirme antes da revelação; se é responsável, mas com motivação imprópria (querer Deus por benefício, não pela beleza moral dele), Deus prefere que ela corrija a fonte da disposição antes.
- Schieber contrapõe as alternativas 1’ e 2’: Deus se revela, a relação começa, e só então a pessoa assume e confirma a boa disposição ou corrige a motivação; a seu ver um Deus perfeitamente amoroso necessariamente preferiria isso.
- Discute a analogia de Howard-Snyder (Mary adia conhecer Joe porque a fidelidade dele não foi testada e a atração dele tem fonte suspeita) e traz a réplica de Schellenberg: o que Mary abre mão é do tempo com Joe agora, e o peso do “começo melhor” é anulado pelo peso de não estar com ele.
- Acrescenta, com Schellenberg, que a analogia falha por ser exclusivamente romântica, criando falsa dicotomia entre nenhuma relação e um caso amoroso, quando amizade e conhecimento casual também são relações pessoais, e que Deus criou as criaturas sabendo que seriam imaturas.
- Fecha com a objeção própria e mais forte: tornar-se bem disposto a uma relação com Deus já exige a capacidade cognitiva de conceber Deus como pessoa e a capacidade afetiva de sentir algo por ele, que são as mesmas capacidades exigidas para a relação pessoal, logo não existe o intervalo temporal de que a defesa precisa.