a tese
David Ribeiro, ateu, comenta em live longa (cerca de seis horas) o debate entre o Apologeta (Gabriel, cristão) e Edson Toshio (ateu) sobre existência de Deus, ocultamento divino e problema do mal, defendendo que as teodiceias apresentadas (missão, conflito cósmico, liberdade epistêmica) falham e que a leitura moralizante de Jó torna Deus inteligivelmente não-bom.
aprofundar
sim
Cruza diretamente com o caso Schmid que o Bruno acompanha (teísmo clássico, ocultamento divino, catolicismo) e traz nomes e argumentos rastreáveis (Mooney, Oliveira, Huemer, Scotus); vale garimpar o trecho da tríplice primazia e do argumento de Huemer se o tema voltar.
O que foi dito
- Enquadra a live no contexto da onda de conversões ao catolicismo (cita Jid e prepara debate próprio com Paulo Victor), e diz estar traduzindo textos ligados aos argumentos de Joe Schmid a favor do teísmo clássico e do catolicismo, para municiar seus seguidores com contrarrespostas.
- Ataca a “teodiceia da missão” (analogia dos filhos mais velhos encarregados dos mais novos) e a teodiceia da restauração/elevação cognitiva dos animais de Dougherty, chamando ambas de péssimas, e ironiza Schmid por hoje endossar teodiceias que antes ajudava a refutar no caso do sofrimento animal.
- Sobre Jó, insiste no “princípio das razões” (Justin Mooney e Luís Oliveira): se Deus age arbitrariamente, sem razão que o justifique, não se sustenta como moralmente bom nem digno das atitudes religiosas devidas a ele.
- Reconstrói e ataca a teodiceia do conflito cósmico defendida pelo Apologeta: Deus permitiria Satanás demonstrar sua acusação diante da assembleia dos anjos (agentes morais) para preservar a “liberdade epistêmica” e o florescimento do amor genuíno; David responde que um ser onisciente não precisaria se provar a ninguém.
- Monta um dilema sobre a liberdade epistêmica: se tem valor intrínseco, seria perdida na visão beatífica do paraíso (logo o conflito teria de ser eterno); se só tem valor instrumental, não haveria razão para instanciá-la ao custo do sofrimento de Jó.
- Usa e reformula a analogia do avô que autoriza infligir sofrimento e morte a um neto só para provar sua fidelidade diante dos outros filhos, concluindo que tal avô seria visto como louco e canalha, não como bom, e que Deus na mesma posição seria absurdo.
- Passa por temas periféricos do debate: ajuste fino como argumento “sério” quando principiado (Deus como seletor entre hipóteses como multiverso, axiarquismo, necessidade física) versus deus das lacunas viciosa; e critica o antirrealismo científico (empirismo construtivo de van Fraassen) que Apologeta e Matheus Fugita usariam junto com criacionismo da Terra jovem, apontando a tensão com a subdeterminação de Duhem-Quine.
- Menciona a “tríplice primazia” de Duns Scotus trazida no debate e o argumento de Michael Huemer contra infinitos de magnitude intensiva aplicado à concepção escotista de Deus infinito, mas não a desenvolve a fundo; encerra dizendo que o Apologeta foi péssimo e Toshio melhor do que esperava.