a tese
David Ribeiro lê e comenta ponto a ponto o vídeo de Bertoche (grafia incerta) contra Gustavo Machado, do canal Orientação Marxista, e sustenta que Machado apenas repete com outras palavras a falácia genética que lhe foi imputada, quando poderia ter articulado um argumento de desmascaramento tecnicamente respeitável.
aprofundar
talvez
o formato é o de rixa entre canais, mas a exposição da taxonomia dos argumentos desmascaradores e das respostas explanacionistas e minimalistas é diretamente transferível para a filosofia da religião, onde o mesmo esquema é usado contra a crença religiosa e o realismo moral.
O que foi dito
- Anuncia o método: identificou sete argumentos principais no vídeo de Bertoche, traduziu cada um e anexou considerações, seguindo a ordem em que apareceram, com repetições e lacunas assumidas de antemão.
- Reconstrói a crítica de Bertoche: invalidar a metafísica reconstruindo sua origem histórica é falácia genética, e a formulação é deliberadamente simétrica, porque mostrar que o marxismo nasceu na Europa industrial do século XIX também não basta para invalidar Marx, assim como a origem na pólis não invalida Platão, Aristóteles ou Tomás de Aquino.
- Registra que Bertoche não aplica contra Marx o mesmo erro: ele afirma explicitamente que seria igualmente ilegítimo rejeitar o marxismo por sua origem histórica, e que cada filosofia deve ser julgada pelos próprios argumentos.
- Acusa a réplica de Machado (as questões metafísicas só fazem sentido a partir de um dado contexto social) de ser o mesmo movimento em roupagem nova, já que a única via para mostrar isso continua sendo identificar as origens e condições históricas do surgimento da questão.
- Oferece ao adversário o argumento melhor que ele não fez: os argumentos desmascaradores (debunking), tradição popularizada por Marx, Darwin, Freud e Skinner e refinada na filosofia analítica como argumentos etiológicos ou genealógicos, objeções de isolamento e desafios de confiabilidade, aplicados a domínios como moralidade, religião, livre-arbítrio, cores, objetos compostos e matemática.
- Distingue as duas formas do argumento: a versão cética, que parte da premissa de que nossas atitudes sobre um domínio não mantêm relação explicativa relevante com os fatos daquele domínio (se é que há fatos), e a versão condicional, que deriva daí um status epistêmico negativo para as crenças.
- Aponta que, mesmo bem formulado, o argumento teria de enfrentar as respostas explanacionistas, nas variantes doxástica e alética, além das estratégias minimalistas, que sustentam haver ao menos um vínculo mínimo garantindo conhecimento do domínio ainda que a maioria das intuições seja precária.
- Conclui que Machado não faz nada disso, apela à gênese pura e simples sem encadear a inferência, e que a tese, levada a sério, se generaliza contra a própria posição dele, como Bertoche já apontara.