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LIVE: DEBULHANDO ARTIGO DE PRESSUPOSICIONALISTA CRISTÃO! MÉTODO ISOMORFIA SEPTENÁRIA OU PALPITADA!?

a tese

Live de quase quatro horas em que David Ribeiro, acompanhado de um convidado, desmonta parágrafo a parágrafo um artigo de Jadson Barbosa que propõe o chamado método de isomorfia septenária, segundo o qual a lógica teria sete propriedades essenciais (imaterialidade, natureza proposicional, universalidade, imutabilidade, normatividade, atemporalidade e eternidade) que só o teísmo satisfaria; a tese da live é que o artigo não demonstra nada, que várias das sete propriedades não são obviamente da lógica, e que a fundamentação divina da lógica cai numa circularidade da qual a simplicidade divina não salva.

aprofundar

talvez

o conteúdo filosófico é do seu terreno e a objeção do fundamento (a lógica precisa valer para que a relação de fundamentação exista) é elegante e vale examinar, mas o formato de live de quatro horas com deboche e digressão rende pouco por hora; se o tema interessar, o caminho curto é ler o artigo de Alex Malpass contra Anderson e Welty, que é a fonte real de tudo que se argumenta aqui.

O que foi dito

  • O contexto é uma série: antes ele analisou outro artigo recomendado por Matheus Fugita e Gabi Schutz sobre o argumento transcendental, e concluiu que aquele texto não fornecia demonstração alguma, apenas um arcabouço formal, e que fechar a inferência exigia assumir idealismo metafísico, ônus caro demais para convencer quem já discorda.
  • A primeira objeção é de vocabulário: expressões como recursos ontológicos necessários e capacidade ontológica necessária ficam sem definição, e ele insiste em perguntar que tipo de necessidade está em jogo (lógica, metafísica, outra), o que no artigo nunca é respondido.
  • A crítica mais forte às sete propriedades é sobre normatividade: norma pressupõe possibilidade de violação, e quem trata as leis lógicas como princípios metafísicos que estruturam a realidade (o microfone não pode ser e não ser microfone no mesmo aspecto) justamente nega que possam ser violadas; logo, listar normatividade como propriedade da lógica metafisicamente real é incoerente. Aponta também que natureza proposicional, imutabilidade e imaterialidade não são propriedades óbvias da lógica, e sim já compromissos de uma teoria.
  • Há uma digressão longa sobre mecânica quântica e superposição, discutindo se ela violaria a não contradição ou apenas o terceiro excluído e a bivalência, com o convidado sustentando que mesmo uma superposição real preserva identidade; entram Graham Priest e o dialeteísmo (monismo lógico que rejeita a lógica clássica), Beall e Restall pelo pluralismo lógico, e a teoria ingênua dos conjuntos como caso em que a interpretação paraconsistente seria mais parcimoniosa.
  • O argumento central da refutação é o do fundamento: relações de fundamentação são irreflexivas e assimétricas, e se Deus fundamenta a lógica, ele precisa que a irreflexividade e a assimetria já valham para que a própria relação de fundamentação exista, ou seja, a lógica teria de estar operando antes de ser fundamentada. Fugir disso pela simplicidade divina (dizer que a lógica é Deus) destrói a tese, porque então a lógica não é fundamentada por nada, que é exatamente a acusação feita ao naturalismo.
  • Acrescentam que identificar Deus a uma proposição contradiz a simplicidade, já que proposição é composição por definição, e que o proponente não parece ter percebido o custo dessa escolha.
  • Reconstroem a literatura de fato relevante: o argumento de James Anderson e Greg Welty (2011), segundo o qual as leis da lógica são proposições necessariamente existentes e intrinsecamente intencionais, exigindo uma mente necessária; e a réplica de Alex Malpass (2020, citada no artigo com data errada), com três linhas de objeção sobre necessidade, intencionalidade e um dilema para o conceitualismo divino. Exibem um trecho em inglês do próprio Malpass expondo o regresso: se um pensamento divino é a lei da não contradição e tem a lei da não contradição como conteúdo, pergunta-se sobre o que é a instância interna do pensamento, e a única saída é iterar o esquema indefinidamente, o que equivale a não ter conteúdo nenhum.
  • Sobre a objeção da necessidade, marcam que a necessidade lógica pode ser lida de dicto ou de re e não implica portador mental, e que o passo inicial do argumento (as leis lógicas são metafisicamente necessárias) é controverso e precisaria de defesa, já que psicologismo (Husserl), formalismo (Hilbert) e intuicionismo (Dummett) o negariam. Usam o caso de Kant e da geometria euclidiana como contraexemplo à concebibilidade como guia de possibilidade metafísica, dado o uso posterior de geometrias não euclidianas na relatividade.
  • O tom é de deboche recorrente: rebatizam o método de isomorfia palpitária, acusam trechos de terem cara de texto gerado por modelo de linguagem, e comemoram com sarcasmo o fato de o artigo estar indexado no PhilPapers. Boa parte das quatro horas é leitura em voz alta, resposta a comentários do chat e conversa lateral.

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