a tese
David Ribeiro e os libertários de esquerda Lucas Cameron e Atena Catarina reagem ao episódio "1 comunista vs 20 liberais" do canal Spectrum, sustentando que a China contemporânea é uma economia neoliberal (não socialista) e que o marxista Humberto Matos defende, na prática, uma gestão do capitalismo que contraria o próprio Marx.
aprofundar
talvez
É debate econômico-político de nicho libertário, denso em referências mas fora do foco teológico/exegético do Bruno; interessa só como amostra de argumentação sobre irracionalidade política (Huemer/Brennan/Caplan), que toca sua filosofia da religião.
O que foi dito
- Cameron se apresenta como anarcoindividualista na linha do Center for a Stateless Society e conta sua trajetória saindo do anarcocapitalismo rothbardiano/objetivista rumo ao mutualismo de Tucker, Spooner e Kevin Carson, acusando Ayn Rand de plagiar autores como James Walker.
- O grupo discute a defesa rothbardiana da venda de tutela/guarda de criança (não da criança em si), aponta que Benjamin Tucker radicalizou pior essa posição na revista Liberty a partir de 1895, e recomenda o artigo de Roderick Long “Abortion, Abandonment, and Positive Rights” sobre deveres positivos derivados dos pais.
- O eixo central é a tese de que neoliberalismo não se reduz ao Consenso de Washington, mas remonta a Henry Simons (1934, “A Positive Program for Laissez-Faire”) e Walter Lippmann, definindo-se como programa de intervenção estatal para arbitrar e estimular a concorrência, o que torna China e o Chile de Pinochet casos neoliberais.
- Cameron cita o plano quinquenal chinês (combinar mercado eficaz e governo competente, papel decisivo do mercado na alocação de recursos), a competição entre províncias por ambiente de negócios, bancos privados de Tencent/Alibaba/DiDi, e recomenda Kevin Carson e Wang Hui (“A política despolitizada”, “As origens do neoliberalismo na China”).
- Contra Humberto, argumentam que a China abandona o projeto marxista de abolição da forma-valor e da mercadoria, que o “etapismo” é estalinismo e não Marx, e apoiam-se em Marx contra Friedrich List para dizer que tanto medidas liberais quanto desenvolvimentistas só perpetuam as contradições do capital.
- Analisam os embates de Henrique (economista) com Humberto sobre a frase “para a economia capitalista crescer o Estado precisa gastar”, debatendo se Grécia e Hong Kong são contraexemplos ou exceções e sobre produtividade total dos fatores maior em empresas privadas chinesas; consideram que Humberto fugiu pela questão de nomenclatura.
- Sobre política, defendem abstenção eleitoral com base em Michael Huemer (“Elogio da passividade”, irracionalidade política, estudo de Philip Tetlock), Bryan Caplan (irracionalidade racional) e Jason Brennan (“Against Democracy”), propondo ação direta no lugar do voto.
- Encerram com a genealogia do anarquismo individualista (Thomas Hodgskin, Josiah Warren, Clarence Lee Swartz, Dyer Lum) e do sindicalismo anarquista brasileiro esmagado pelo varguismo em conluio com o PCB, ancorados na antologia “Markets Not Capitalism”.