a tese
David Ribeiro, filósofo ateu, faz react de quase quatro horas ao debate entre Daniel Gontijo (ateu, neurocientista) e Guilherme Freire (cristão), defendendo o problema do mal na versão de Rowe e criticando as respostas de Freire sobre livre-arbítrio, céu e lei natural, com o caso Joe Schmid como pano de fundo.
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é filosofia da religião densa e alinhada aos seus interesses (Rowe, Schellenberg, molinismo, lei natural), com bibliografia rastreável; o formato react de quatro horas é disperso, mas os blocos sobre problema do mal e livre-arbítrio valem uma sessão sua.
O que foi dito
- Abre com apresentação de traduções que vem preparando (texto de Jessica Frazer sobre argumentos cosmológicos/teleológicos na filosofia hindu; materiais que “minam o passo inferencial” que liga milagres à vindicação de uma tradição religiosa particular) e diz priorizar textos que atacam casos vindicatórios gerais antes dos milagres eucarísticos católicos (cita a química e teóloga Stacy Trasancos e estudos de Kelly Kearse sobre contaminação das hóstias).
- Critica de saída a máxima de Olavo de Carvalho (“moderação na defesa da verdade é serviço prestado à mentira”), sustentando o contrário: a imoderação fecha o interlocutor e presta serviço à mentira; usa como exemplo Joe Schmid ter ocultado vídeos ao reconverter-se ao catolicismo, o que gerou backlash.
- Sobre o problema do mal, expõe a formulação de William Rowe (1978/1979): males gratuitos são males sem razão moralmente suficiente que justifique Deus em permiti-los; por amostragem representativa de razões possíveis e generalização indutiva, infere-se que há males gratuitos e, logo, que Deus não existe.
- Ataca a defesa do livre-arbítrio de Freire com a “ofensiva do livre-arbítrio ateísta” de John Schellenberg (2004): se no céu não haverá livre-arbítrio libertário e ainda assim não haverá pecado, então o livre-arbítrio não é intrinsecamente valioso, e mantê-lo aqui, permitindo males horrendos, torna Deus cruel; discute isso valendo tanto para o molinismo (conhecimento médio, contrafactuais de essências pessoais) quanto para o tomismo (Deus move a vontade como causa primeira, homem como causa segunda).
- Levanta o problema do céu (atribuído a Graham Oppy, Nick Trakakis e Yujin Nagasawa, em “Arguing About Gods”, 2006): por que não criar diretamente o céu “redondinho” sem a passagem pelo sofrimento e males naturais; Freire responde com a queda e a liberdade moralmente relevante, e Ribeiro replica com o argumento da não-essencialidade do livre-arbítrio.
- Contrasta as éticas normativas dos debatedores: Freire ancorado em lei moral natural e restrições deônticas absolutas (aborto), Gontijo num consequencialismo/utilitarismo de bem-estar; sustenta que política deve ser discutida sem viés religioso, com dados verificáveis.
- Discute escravidão e subdeterminação da Bíblia (versículos como Êxodo 21 usados tanto pró quanto contra), indicando um vídeo do canal Bruno Sun sobre o tema, e disputa a definição de religião de Freire como “liberal demais”, preferindo a de Graham Oppy (crença em agentes causais não naturais, ciclos de morte/renascimento, punição/recompensa, compromisso custoso), que exclui o ateísmo como religião; distingue ateísmo “orgânico” (países nórdicos) de “inorgânico”/estatal (Coreia do Norte) via Phil Zuckerman e Michael Martin.